Joseph-Emmanuel Zwiener, autor desta peça, nasceu na Alemanha e instalou-se posteriormente em Paris. Aí participou na Exposição Universal de 1889, período em que produziu esta obra. Mais tarde, em 1895, o Kaiser Guilherme II da Prússia chamou-o a Berlim, reconhecendo a qualidade do seu trabalho.
Zwiener produzia mobiliário fortemente inspirado no estilo setecentista de Luís XV. Criava móveis com amplas curvas, folheados, embutidos e painéis em vernis Martin. Contudo, introduzia sempre interpretações próprias, visíveis também nesta peça. Para a decorar, escolheu folheados e marchetados que formam padrões geométricos e florais. Além disso, aplicou bronzes dourados, provavelmente da autoria de Léon Messagé, bronzista que colaborou com François Linke, autor de várias peças presentes no Museu.
O cartonnier, numa fase inicial, era apenas uma caixa de cartão com gavetas colocada sobre as secretárias. Com o tempo, porém, evoluiu para um módulo independente em madeira ou, como neste caso, para um elemento acessório integrado no próprio tampo. Este exemplar apresenta dois conjuntos de quatro gavetas, encimados por um relógio. As gavetas estão forradas a tecido e protegidas no fundo por papel marmoreado. Além disso, abrem e fecham simultaneamente graças a um sistema oculto de fecho.
Por fim, a peça confirma a sua própria autoria, datação e local de produção, já que exibe esses três elementos gravados na sua estrutura.
Para mais informações consulte a peça em destaque de maio de 2014.
Joseph-Emmanuel Zwiener (1849-c. 1925)
Paris (França)
1892
Carvalho, pau-santo, pau-rosa, pele tingida, bronze dourado, tecido, papel, esmalte, aço
164 x 145 cm
Au Bonheur du Jour H. Calvet Fils, Paris, 1967
FMA 83