Jan Davidszoon De Heem (1606–1684) viveu e trabalhou grande parte da vida em Antuérpia, para onde se mudou em 1636. A sua formação ocorreu na cidade natal, possivelmente com Balthasar van der Ast, pintor de naturezas-mortas que poderá ter influenciado o seu interesse pelo género.
Em Leiden, dedicou-se às vanitas: pinturas simbólicas que refletem a brevidade da vida terrena, recorrendo a composições monocromáticas com livros, ampulhetas ou instrumentos musicais.
Com a mudança para Antuérpia, a sua pintura evoluiu. De Heem passou a combinar a tradição holandesa do claro-escuro com a paleta viva apreciada na Flandres. As naturezas-mortas tornaram-se mais coloridas, com uma maior variedade de objetos e uma profusão decorativa marcante. Mantiveram também um forte simbolismo associado à transitoriedade da vida (ars longa, vita brevis).
Especialista no género pronkstilleven — a “natureza-morta de ostentação” —, refletiu nas suas obras uma sociedade em que a burguesia ganhava destaque, exibindo produtos raros e valiosos vindos dos portos dos Países Baixos.
Para mais informações veja a peça em destaque de abril de 2020.
Jan Davidszoon de Heem (1606-1684) - ass.
Antuérpia (Bélgica)
c.1643-44
Óleo sobre madeira
58,3 x 75,5 cm
Eugene Slatter Gallery, Londres, 1945
FMA 467