A decoração destas peças apresenta uma clara inspiração neoclássica. São rematadas por frisos gravados com pequenos trifólios na base, no colo e na orla das tampas, e por cercaduras de gregas aplicadas igualmente na base e no colo, motivo que se reconhece com frequência na obra de Firmo da Costa. O bojo é posteriormente gravado com o monograma “N”, envolvido por uma coroa de louros.
Este conjunto testemunha a mudança de gosto que marca a passagem para o século XIX. Firmo da Costa conjuga inovação, sobriedade e equilíbrio, sobretudo em objetos destinados ao quotidiano civil, e conquista uma clientela ampla e diversificada, que lhe assegura um volume significativo de encomendas.
A trajetória do serviço é particularmente relevante. Produzido em Lisboa entre 1810 e o início de 1815, segue para a ilha da Madeira, de onde embarca, em agosto de 1815, a bordo do navio Northumberland, que transporta Napoleão Bonaparte para o exílio em Santa Helena. Tudo indica que é no Funchal que as peças recebem o monograma imperial. Após a morte de Napoleão, o serviço é leiloado em Londres e passa por diversos colecionadores, até ser adquirido por António de Medeiros e Almeida em 1969, ano em que regressa à cidade onde foi originalmente executado.
Para mais informações consulte a peça em destaque agosto de 2013.
António Firmo da Costa (1767-1823)
Lisboa (Portugal)
c.1810-1815
Prata, madeira
Bule – 18,8cm / 1020gr., Cafeteira – 29cm / 1193gr., Açucareiro – 16,7cm / 572gr., Leiteira – 16,3cm / 425gr., Taça de Pingos – 8cm / 418gr. Peso total: 3628gramas.
Sotheby’s & Co., Londres
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