As salvas, durante os séculos XV e XVI, eram originalmente peças de aparato que podiam cumprir duas funções. Geralmente, a salva era utilizada para verter parte do vinho que havia de beber o senhor, para ser provado por um servente e evitar possíveis envenenamentos; desta cerimónia, «tomar a salva» (do latim salvare, «salvar»), deriva o nome da peça.
Simbolicamente, as salvas eram colocadas em aparadores ou «escadórios», de modo a mostrar a riqueza do proprietário — daí a importância da heráldica que muitas vezes aparece associada a estas peças. O centro, local onde habitualmente estaria o brasão do encomendador, apresenta-se liso. Era habitual na época, quando este tipo de peças mudava de proprietário, as armas serem substituídas pelas da nova família.
Esta peça seria de ostentação, enquadrando-se nas salvas de iconografia mitológica, por causa dos temas representados, com figuras marinhas e mitológicas. Os ourives portugueses do século XVI serviram-se destes episódios, assim como dos bíblicos ou da história clássica, confrontando o irracional e o lógico (o bem e o mal), num momento em que os limites geográficos estavam em plena expansão e se procurava organizar o mundo dentro dos cânones morais preestabelecidos.
Desconhecido
Lisboa (Portugal)
1ª metade do séc. XVI
Prata dourada
4 x 31, 8 cm
Sotheby's & Co., Londres
FMA 1198