António de Medeiros e Almeida adquiriu esta pintura como um autorretrato de Rembrandt (1606-1669). Confiou na sua autenticidade, sobretudo porque a obra vinha acompanhada por certificados de historiadores e críticos, além de documentos de exposições internacionais e referências em catálogos. Assim, não havia motivo para dúvidas.
Em 2000, o Rembrandt Research Project (RRP) estudou novamente a pintura. Nessa avaliação, atribuiu-a a um autor desconhecido, considerando-a uma cópia do retrato sobre tela da National Gallery of Victoria, em Melbourne.
Contudo, anos antes, o próprio RRP tinha reavaliado a pintura de Melbourne. Passou então a integrá-la num conjunto de (auto)(r)retratos produzidos na oficina de Rembrandt, pelos seus discípulos, e datados de cerca de 1660. Por isso, abriu-se a possibilidade de a obra da Coleção Medeiros e Almeida pertencer também a esse grupo, cujo propósito final ainda se desconhece.
Sabe-se que Rembrandt criou cerca de 80 autorretratos em pintura, desenho e gravura, ao longo de quatro décadas. Ainda hoje, o motivo desta persistência continua a gerar debate. Os (auto)(r)retratos produzidos no atelier poderiam ser simples exercícios de aprendizagem; contudo, poderiam também responder à crescente procura por retratos do mestre.
Para mais informações consulte a peça em destaque de maio de 2022.
Autor desconhecido - atelier de Rembrandt Harmenszoon van Rijn (?)
Amsterdão (Holanda)
Depois de 1660
Óleo sobre madeira
56,5 x 43,7 cm
Galerie Charpentier, Paris, 1956
FMA 8061