Púlpito Indo-português

Púlpito (bacia) Indo-português

Púlpito (bacia)

O Púlpito Indo-português insere-se no contexto da conquista de Goa em 1510 e da criação do Padroado Português do Oriente, momento em que a chegada das ordens religiosas deu início a um intenso movimento construtivo. Nesse contexto, este processo marcou profundamente a cidade e, por conseguinte, dotou-a de um vasto conjunto de igrejas e conventos de grande riqueza artística e simbólica. Além disso, o recurso a artesãos locais, convertidos ao cristianismo, originou uma produção singular. Deste modo, esta prática fundiu tradições indianas, sobretudo ligadas à escultura, com influências europeias derivadas de gravuras. Assim, desse encontro nasceu a chamada arte indo-portuguesa.

 

O púlpito constitui uma peça de mobiliário litúrgico destinada à prática do sermão. Em geral, integra uma bacia, destinada ao oficiante, e um espaldar. Por sua vez, o conjunto inclui um guarda-voz em forma de concha, que projeta a voz do pregador.

 

A peça do museu corresponde a uma bacia de púlpito. Neste caso, os artífices criaram-na para uma igreja portuguesa em território indiano, segundo modelos barrocos europeus. Contudo, executaram-na em madeira de teca e com pigmentos vegetais locais. Quanto à decoração, a peça apresenta entalhe em baixo-relevo com colunas torsas e outros elementos arquitetónicos. Além disso, mostra enrolamentos vegetalistas e um horror vacui típico do barroco europeu. Simultaneamente, integra elementos hindus, como as seis figuras afrontadas no corpo inferior, identificadas como nāginas associadas a Vishnu. Deste modo, esta presença evidencia a miscigenação artística indo-portuguesa.

 

Em 2016, na sua tese de doutoramento sobre a arte retabular de Goa, Mónica Esteves Reis identificou, igualmente, na capela da Senhora do Monte, em Velha Goa, os elementos em falta deste conjunto quinhentista.

 

Para mais informações consulte a peça em destaque de fevereiro de 2014.

Artista

Desconhecido

Local

Velha Goa (Índia)

Data

c.1710-1759

Materiais

Teca policromada

Dimensões

260 x 210 x 100 cm

Proveniência

António Costa Antiguidades Lda., Lisboa, 1972

Nº de Inventário

FMA 1215

Category
Mobiliário Indo-Português