No final da dinastia Ming, entre 1575 e 1640, os fornos de Jingdezhen produziram em grande escala um novo tipo de porcelana conhecido como kraakporselein. O termo kraak, utilizado pelos holandeses, deriva provavelmente das carracas portuguesas que asseguravam o comércio marítimo com a Ásia. Estas porcelanas destinaram-se sobretudo à exportação e chegaram à Europa em grandes quantidades.
Este prato apresenta as características técnicas próprias da porcelana kraak. As paredes são delgadas e o vidrado é fino e brilhante, com descamação visível nas bordas. Observam-se pequenos orifícios resultantes da contração do esmalte durante a cozedura, bem como a adesão de areias na base. As estrias concêntricas evidenciam o trabalho realizado no torno.
A decoração sugere uma associação simbólica à longevidade, visível na presença de suásticas, conjuntos de três pêssegos ligados à imortalidade e do nó infinito, um dos oito símbolos auspiciosos do Budismo. No entanto, estas peças foram produzidas para o mercado externo. O público europeu valorizava-as sobretudo pela sua aparência e pela função utilitária, mais do que pelo significado simbólico dos motivos decorativos.
Para mais informações consulte a peça em destaque de setembro de 2015.
Desconhecido
China
Dinastia Ming, período Wanli
c.1610-20
Porcelana
10 x 48,7 cm
Soares & Mendonça Lda., Lisboa, 1956
FMA 836