A temática dos Quatro Elementos foi sempre muito popular ao longo do barroco, em diversos suportes, representada por cenas de mitologia clássica. Este tema surge em tapeçaria, pela primeira vez, na Manufatura de Gobelins, a partir dos desenhos de Charles Le Brun, em 1664, desenho esse que revela parecenças com esta peça em questão, levando-nos à possibilidade de ser dessa mesma oficina. Contudo, apesar de no seu todo seguir o modelo de Charles Le Brun com a representação da figura de Vulcano como Fogo numa cena de fabrico metalúrgico, visivelmente debilitado, semi-despido e numa posição pouco elegante, acompanhado de ciclopes ajudantes e no céu, Júpiter e Vénus; existem algumas diferenças relevantes que nos levam a propor outra proposta de autoria.
Contrariamente à oficina de Gobelins, neste caso, conseguimos observar uma inversão relativamente ao modelo original, característica de uma peça tecida em baixo-liço e uma mudança na cercadura que inicialmente foi realizada para exaltar as virtudes do rei e que neste caso apresenta um entrelaçado de flores e fitas. Estas características, por sua vez, foram tipicamente vistas na Manufatura de Beauvais, que detinha os desenhos de Charles Le Brun em 1690, o que nos leva a considerar a hipótese de esta tapeçaria ter sido produzida por esta segunda Manufatura e não pela primeira como primordialmente se julgava.
Para mais informações consulte a peça em destaque de maio de 2020.
Manufatura Real de Gobelins (?) / Manufatura Real de Beauvais (?) - Cartão de Charles Le Brun (1619-1690)
França
Final do séc. XVII
Fio de lã
265 x 425 cm
Galerie Maurice Chalom, Paris, 1971
FMA 5