A decoração baseia-se numa simbologia budista de prosperidade. Inclui elegante folhagem que nasce de flores de lótus, bem como morcegos, limões «mão de Buda», cogumelos lingzhi, cabeças de ruyi e suásticas. Estes motivos, associados à corte imperial, transmitem ideias de felicidade e longevidade.
Em contraste, as figuras masculinas apresentam-se apoiadas e modeladas de forma naturalista. Trajam à europeia, segundo a moda nobre do século XVIII.
A excecional qualidade técnica da peça, a riqueza decorativa e a representação de ocidentais explicam-se pela sua função simbólica. As figuras prestam tributo ao imperador, uma atitude valorizada por este no contacto com estrangeiros. Transportam uma oferta que, de forma deliberada e irónica, tem quase o dobro do seu tamanho. A jarra destinava-se, provavelmente, a ostentar pequenas bandeiras ou estandartes.
Na base, a marca de reinado em forma de selo indica produção para o mercado imperial doméstico. O selo alude ao passado remoto, evocando a dinastia Shang (1600 a.C.–1046 a.C.) como referência estética deste reinado.
Para mais informações consulte a peça em destaque de maio de 2017.
Fornos de Jingdezhen
China, província de Jiangxi
Dinastia Qing, período Qianlong
c.1750-1780
Porcelana
42 x 29,5 x 12,5 cm
Jade Company S.A. Antiquaires, Genebra, 1971
FMA 4500