Este contador holandês, em carvalho folheado a ébano decorado por tremidos, é um requintado exemplar de meados do século XVII. Além disso, o interior divide-se em 29 compartimentos: 20 decorados por tremidos e 9 pintados com naturezas-mortas de flores, frutos e paisagens. Ao centro, encontra-se um escaninho amovível que reproduz a entrada de uma casa típica holandesa. Por outro lado, existem ainda gavetas ocultas por batentes tremidos, uma característica comum deste tipo de móvel.
A pintura em miniatura das portas e gavetas, representando frutos, insetos e flores, é atribuída à pintora de naturezas-mortas Magdalena van den Hecken. São pequenas obras de grande pormenor e realismo que refletem o interesse da sociedade holandesa pela natureza, bem como pela botânica — especialmente pelas tulipas, que marcaram profundamente a cultura e a economia dos Países Baixos. Além disso, estas representações evocam leituras simbólicas, como a alegoria da passagem do tempo e da efemeridade da vida e da beleza.
As restantes pinturas, de mão desconhecida, mostram o mito de Píramo e Tisbe, o Paraíso na Terra e um monge eremita em leitura, conduzindo-nos a um universo onírico.
Por fim, estes contadores eram objetos valiosos, tanto pelos materiais utilizados como pela requintada decoração. Assim, podiam ser comparados, em escala reduzida, aos gabinetes de curiosidades, onde as elites guardavam e exibiam raridades.
Desconhecido
Amesterdão, (Holanda)
c. 1635-1645
Ébano, cedro, carvalho
77 × 88 × 48,6 cm
Canterbury Antiques Ltd., Londres, 1948
FMA 338