Também conhecida como O Advogado dos Camponeses, O Advogado das Más Causas ou O Escritório do Notário, esta composição integra a tradição da caricatura europeia. A forma teatral e a narrativa satírica reforçam esse enquadramento e, além disso, aproximam a obra das sátiras sociais do período. Durante muito tempo, muitos identificaram a cena como o escritório de um cobrador de impostos; por isso, esse título se tornou o mais difundido. Contudo, uma leitura mais cuidada sugere outra intenção, já que vários elementos apontam para uma crítica direta à profissão de advogado.
O autor dedicou grande parte da carreira a copiar obras do pai, Pieter Brueghel, o Velho (c.1525-1569), e também de diversos contemporâneos. Além disso, produziu algumas composições próprias, e esta tornou-se a mais reconhecida. A sua enorme popularidade levou, assim, à proliferação de cópias. Muitas foram feitas no seu atelier; outras, pelo filho, Pieter Brueghel III (1589-1639). Deste modo, a circulação da imagem aumentou e respondeu à forte procura por composições célebres, prática comum na época.
O exemplar da Coleção apresenta a assinatura e a data «P. BRVEGHEL 1616». A primeira versão conhecida desta composição é de 1615; por isso, o quadro da Coleção destaca-se como um dos exemplos mais antigos e relevantes.
Para mais informações consulte a peça em destaque de maio de 2012.
Pieter Brueghel II (1564-1638) – ass.
Antuérpia (Flandres)
1616 – dat.
Óleo sobre madeira
51,9 x 83,7 cm
J.O. Leegenhoek Tableaux, Paris, 1971
FMA 741