Silk Roads Beyond Borders
Poly MGM Museum, Macau
Patente até agosto de 2026
O Museu Medeiros e Almeida participa na exposição internacional Silk Roads Beyond Borders, no POLY MGM Museum, através do empréstimo de um tapete persa do tipo Ferahan, integrando a mais recente atualização do programa expositivo.
Localizado em Macau, território historicamente marcado pelo contacto entre a Europa e a Ásia, o POLY MGM Museum afirma-se como um polo museológico de âmbito internacional. Fundado pela Poly Culture e pela MGM, desenvolve uma programação orientada para a salvaguarda do património cultural, material e imaterial, e para a promoção de intercâmbios à escala global.
A sua arquitetura e conceção expositiva evocam tradições artesanais chinesas, integrando soluções espaciais flexíveis que permitem a apresentação de narrativas complexas e interdisciplinares. O museu assume-se, assim, como plataforma de mediação cultural, articulando investigação, tecnologia e experiências imersivas.
Exposição Silk Roads Beyond Borders
A exposição Silk Roads Beyond Borders, patente de outubro de 2025 a agosto de 2026, propõe uma leitura alargada das redes históricas de circulação que ligam a Eurásia, tomando a Rota da Seda como eixo interpretativo. Reunindo mais de duas centenas de obras — de têxteis a bronzes, de manuscritos a produções contemporâneas — a exposição explora processos de contacto, transferência e adaptação entre diferentes tradições culturais.
Numa fase recente do seu programa expositivo, a mostra é atualizada, introduzindo um novo conjunto de destaques internacionais. Entre estas incorporações figuram obras atribuídas à escola veneziana, incluindo a Canaletto (1697–1768) e Michele Marieschi (1710–1743), bem como um tapete persa da coleção do Museu Medeiros e Almeida.
A presença deste núcleo reforça a leitura da exposição enquanto espaço de articulação entre diferentes tradições artísticas, evidenciando a circulação de objetos e de repertórios decorativos ao longo de vastas geografias.

Tapete Ferahan de grandes dimensões com padrão Herati
Região de Arak, Irão central
Meados do século XIX a inícios do século XX
Museu Medeiros e Almeida, inv. FMA 165
Produzido na região de Arak, no centro do Irão, este tapete pode ser datado, com elevada probabilidade, entre meados do século XIX e o início do século XX, período em que a localidade de Ferahan se afirma como um importante centro de manufatura têxtil. Destinado sobretudo à exportação para o mercado europeu, integra uma produção reconhecida pela qualidade dos materiais, pela resistência estrutural e pela sofisticação do desenho.
Do ponto de vista técnico, apresenta um nó assimétrico de elevada densidade, característico da tradição persa, sobre uma base em algodão. A lã, de fiação fina e elevada qualidade, forma um pêlo baixo e compacto, condição que favorece a nitidez do motivo decorativo e a precisão do traço.
O campo desenvolve um padrão Herati de repetição integral sobre fundo azul-escuro, constituído por elementos florais vermelhos organizados em malha contínua. Este motivo, cuja origem remonta aos séculos XVI–XVII, associa-se à produção de corte do período safávida e à sua posterior difusão. A composição é enquadrada por uma cercadura principal de fundo vermelho, de largura invulgar, ladeada por duas guardas que acentuam o equilíbrio visual do conjunto.

Apresentação do tapete Ferahan no POLY MGM Museum (Macau). © POLY MGM Museum.





